Sempre existe uma "hora da verdade" entre as pessoas. É aquele momento em que você vai realmente descobrir qual o nível de relação que existe entre vocês. A questão é que não existe uma única hora da verdade, mas muitas.
A relação entre duas pessoas é totalmente ligada aos interesses que uma tem na outra. Isso é lógico. Mas bom mesmo seria se esses interesses fossem primordialmente pessoais. Que estivessem ligados a afinidades como gosto musical, por exemplo.
A grande real é que, no final, o que interessa é dinheiro. Isso faz com quem pessoas sem nenhuma afinidade se tornem grandes amigas e, em contrapartida, outras que tem tudo em comum se tornem inimigos para sempre. Ou até um bom negócio.
Não descobri isso agora e nem é uma novidade do mundo globalizado. A vida toda foi assim e sofre muito quem não consegue se adaptar a isso.
Confesso que tento ter o jogo de cintura necessário para participar dessa brincadeira, mas é muito difícil. Já vi vários caindo a esquerda e a direita, se rendendo aos doces prazeres desse tipo de relação, mas continuo de pé.
Me sinto realmente enojado ao ver certas relações que se criam e laços de amor fraterno entre pessoas que apenas se gostam pelo dinheiro que uma pode gerar a outra.
A verdade é que sinto vergonha por essas pessoas e tristeza por todos nós.
Mas e daí, né?
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Homenagem a Rafael Mascarenhas
Sei que
esse papo vai gerar polêmica, mas opinião é que nem bunda, cada um tem a sua e
dá quem quer, certo? =)
Mas o lance
sobre o qual quero comentar é a homenagem feita pelo Red Hot Chilli Pepers no
final do seu show no Rock In Rio. A banda toda vestiu uma camiseta branca com a
silhueta de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães.
Rafael
morreu em um acidente ano passado no Túnel Acústico na Gávea – Rio de Janeiro.
O túnel estava fechado para manutenção, uma prática comum que ocorre com
freqüência nos principais túneis da cidade. Porém, Rafael aproveitou a
oportunidade pra dar um “rolezin” de skate.
Outro que supostamente
também aproveitou a oportunidade da via fechada para brincar foi Rafael
Bussamra. No caso, a brincadeira teria sido um racha de carro com outro amigo. Bussamra
nega o pega e afirma que não sabia que o túnel estava fechado.
Quis o
destino, porém, que os dois se encontrassem e, naturalmente e infelizmente,
Rafael Mascarenhas acabou morto, atropelado pelo outro.
Ambos
estavam errados e não existe erro pior ou erro menor. O erro do motorista
Rafael não elimina o erro do Rafael skatista. Não que eu não me solidarize com
a morte do menino atropelado, lógico que sim. Mas e se ele atropelasse, com o
skate, uma pessoa que atravessava a via fechada?
O contexto
faz com que transformemos Rafael Mascarenhas numa enorme vítima da
irresponsabilidade do motorista, isentando-o da sua própria responsabilidade.
Também não
quero dizer com isso que a culpa tenha sido da vítima. Evidentemente que não.
Mas é importante sempre avaliar friamente a situação e, nesse caso, na minha
opinião, Rafael Mascarenhas estava muitíssimo errado.
Pelo que
leio, Rafael Mascarenhas era um menino ótimo, cheio de vida, blábláblá. Assim
como milhões de outros que acabam sendo vítimas da violência das cidades, do
trânsito, de uma bala perdida, de um câncer e tudo mais. A vida é assim mesmo e
ninguém é melhor do que ninguém. É preciso estar ligado o tempo todo.
É nesse
ponto que questiono um pouco a tal homenagem feita pelo RHCP a pedido de Cissa
Guimarães, que utilizou de sua influência e contatos para realizar seu desejo.
Imagino o quanto ela deve ter ficado feliz e se emocionado, lembrando do filho
que faria aniversário na data do show, se não me engano, e era um grande fã da
banda.
Sem dúvida
para Cissa, família e amigos, valeu demais. Acho que todo mundo achou uma mega
homenagem. E foi mesmo. Bem legal.
Mas aí eu
me pergunto também se Cissa ou alguém envolvido na rede de relacionamento
responsável por transformar em realidade a homenagem, não poderia, de alguma
forma, ter aproveitado essa oportunidade gigantesca, para chamar a atenção para
alguma situação relacionada. Poderíamos pedir paz no trânsito ou o fim da
impunidade, já que o outro rapaz continua em liberdade. Já que os policiais
liberaram o motorista depois do acidente, lidando de forma totalmente absurda
com um assunto tão grave.
Sei que no
fundo da sua dor, Cissa estava se lixando pra qualquer outra situação que não
fosse apenas se sentir um pouco mais próxima do filho, tirado prematuramente do
seu convívio. Mas ainda assim, daqui da minha posição confortável de quem
assiste tudo como mero expectador, imagino se alguém próximo não poderia ter
dado esse toque. Tenho certeza de que Cissa sairia ainda mais fortalecida ao
contribuir de alguma forma para um debate em âmbito maior sobre temas que
persistem na nossa sociedade e, quem sabe, lá na frente, evitar que outros também
sejam vítimas.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Cabeção de Nego
Ontem estreiou "Cabeção de Nego" (Teatro Sesc Ginástico - Centro do Rio), um espetáculo de dança dirigido por Carlos Laerte, da Laso Cia de Dança.
O projeto foi o vencedor do Prêmio Sesc Rio de Fomento à Cultura, realizado pela L21 em parceira com o Sesc Rio.
Nós aqui na Kombo estivemos, e ainda estamos, super envolvidos com a premiação, que de fato é muito interessante. Mais informações em http://www.sescriofomentocultura.com.br/.
Mas o que me motivou a vir aqui rapidamente no blog, foi esse texto aqui:
"Carlos Laerte, com grave leitura e comovente escuta de seus intérpretes, foge de citações imediatas dos nortes da dança moderna e contemporânea em possíveis códigos pavimentados. A proposta da improvisação, infiltraçõess do método de ações físicas e contato teatral e do work in progress levam o desenho coreográfico a busca de um aporte particular dos bailarinos e da riqueza do refino da acidentalização do movimento que parte do imaginário e da realidade da polimorfa identidade brasileira."
Bem, esse é o primeiro, de quatro parágrafos, do texto de apresentação do espetáculo. Texto escrito por Marcelo Augusto - Doutor em Semiologia - Coordenador do curso de cinema da Estácio de Sá.
Confesso que tive preguiça de continuar a ler. Afinal de contas, pra quem foi escrito esse texto?
As pessoas que trabalham com arte e cultura, vivem reclamando da falta de oportunidade. Que não há abertura para eventos e espetácuulos culturais no Brasil etc etc etc. Mas quando surge uma oportunidade, fazem arte e cultura para poucos, ou quase ninguém.
Não me julgo uma pessoa ignorante, mas longe de estar inserido profundamente num ambiente intelectual. Sou uma pessoa comum, com uma formação e interesse bem razoável. Ainda assim, estou muito acima da média brasileira, quando se refere a educação e acesso a cultura.
Pois bem, se eu tive preguiça. Se simplesmente observei esse texto como um grande desperdício de palavras, imagina quem está abaixo da média, ou seja, a maioria da população.
Por favor, minha gente. Vamos fazer arte e cultura para o povo. Não é preciso usar uma linguagem esculhambada, mas vamos tornar acessível ao maior número de pessoas possível. Só assim pra todos nós evoluirmos.~
Vamos puxar pra cima, ao contrário de aumentar a distânica que separa os Doutores do povão.
O projeto foi o vencedor do Prêmio Sesc Rio de Fomento à Cultura, realizado pela L21 em parceira com o Sesc Rio.
Nós aqui na Kombo estivemos, e ainda estamos, super envolvidos com a premiação, que de fato é muito interessante. Mais informações em http://www.sescriofomentocultura.com.br/.
Mas o que me motivou a vir aqui rapidamente no blog, foi esse texto aqui:
"Carlos Laerte, com grave leitura e comovente escuta de seus intérpretes, foge de citações imediatas dos nortes da dança moderna e contemporânea em possíveis códigos pavimentados. A proposta da improvisação, infiltraçõess do método de ações físicas e contato teatral e do work in progress levam o desenho coreográfico a busca de um aporte particular dos bailarinos e da riqueza do refino da acidentalização do movimento que parte do imaginário e da realidade da polimorfa identidade brasileira."
Bem, esse é o primeiro, de quatro parágrafos, do texto de apresentação do espetáculo. Texto escrito por Marcelo Augusto - Doutor em Semiologia - Coordenador do curso de cinema da Estácio de Sá.
Confesso que tive preguiça de continuar a ler. Afinal de contas, pra quem foi escrito esse texto?
As pessoas que trabalham com arte e cultura, vivem reclamando da falta de oportunidade. Que não há abertura para eventos e espetácuulos culturais no Brasil etc etc etc. Mas quando surge uma oportunidade, fazem arte e cultura para poucos, ou quase ninguém.
Não me julgo uma pessoa ignorante, mas longe de estar inserido profundamente num ambiente intelectual. Sou uma pessoa comum, com uma formação e interesse bem razoável. Ainda assim, estou muito acima da média brasileira, quando se refere a educação e acesso a cultura.
Pois bem, se eu tive preguiça. Se simplesmente observei esse texto como um grande desperdício de palavras, imagina quem está abaixo da média, ou seja, a maioria da população.
Por favor, minha gente. Vamos fazer arte e cultura para o povo. Não é preciso usar uma linguagem esculhambada, mas vamos tornar acessível ao maior número de pessoas possível. Só assim pra todos nós evoluirmos.~
Vamos puxar pra cima, ao contrário de aumentar a distânica que separa os Doutores do povão.
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